AMORPHOUS, Poeplantswords
“…penetra surdamente no reino das palavras…”

Pelas palavras do poeta Drummond minha imaginação flui, caminha por vias nunca tão imaginadas, procurando por um sentido, ora pelo contraste do preto sumi com o branco arroz, ora pelo rosa cereja, adocicado como o vermelho de sua fruta, porém suave como suas flores. Tímido na profusão do dourado, tão nobre e intocável dourado, símbolo do budismo e de conceitos estéticos orientais.
Minhas palavras caminham pelas palavras do poeta, mas as formas e suas cores busco nos jardins japoneses do Período da Era Meiji (1868-1912). Entre milhares de palavras, formas ora orgânicas/botânicas, ora amorfas vão brotando e se metaforseando….
Já não são do poeta, as palavras híbridas são minhas, tão somente minhas, e tornam-se lugar do outro ou do próprio espectador, que no jogo do entendimento participa do meu jogo de palavras. Joga o jogo da palavra pintada; “…um texto só é um texto se ele oculta ao primeiro olhar, ao primeiro encontro, a lei de sua composição e a regra do seu jogo…” (Jacques Derrida)

Erica Kaminishi
Outubro/2006