Inverses

“O desenho sempre fez parte do meu repertório artístico, estando muito próximo da idéia de um diário visual, cujos elementos eu encontro na poética da palavra escrita – ora minha, ora de outrem.

As palavras, ao mesmo tempo que formam a idéia contextual, tranformam-se nas próprias formas composicionais do desenho. Ao utilizá-las como elementos visuais, procuro transpor de forma clara e compreensível todas as minhas emoções e memórias: as lembranças calcadas em uma cultura (um Japão) ausente, mas presente no ambiente familiar e o registro do meu percurso entre diferentes lares e culturas.

Hoje, o desenho e a palavra escrita continuam sendo toda a essência da minha produção atual, porém dentro de um processo que os insere em um contexto mais híbrido, que inclui a escultura, o vídeo e também a interatividade. Desta forma, ultrapasso os limites do papel e transporto o desenho para diferentes meios, explorando suas inúmeras possibilidades: o desenho que se mistura com o tridimensional; que se torna uma animação em vídeo; e que também dialoga com o público e pede sua colaboração para existir.

Pela pluralidade dos meios, meus trabalhos tornam-se lares imaginários – territórios designados pelo meu olhar, mas traçados como um abrigo sem limites físicos e culturais”